segunda-feira, 27 de julho de 2009

Eja na Diversidade

Educação de Jovens e Adultos

Iniciamos o novo milênio com esperanças e possibilidades de um mundo melhor. Novas realizações surgem a todo instante, as quais os avanços científicos, tecnológicos e culturais acontecem em curto espaço de tempo e num imenso espaço geográfico, causando fortes impactos na sociedade.
As transformações sociais, decorrentes da globalização e da tecnologia, mudaram o perfil da formação de recursos humanos, pois o mercado de trabalho, mais exigente e seletivo, requer profissionais com visão globalizada, criatividade e, ainda, com capacidades de análise crítica, transferência de conhecimentos, iniciativa, relacionamento cooperativo, tornando difícil à inserção, no mercado formal de trabalho, de pessoas com pouca ou nenhuma escolarização.
Essas mudanças também tendem a colaborar para o crescimento das desigualdades e da injustiça social, à medida que grande parte da população é duplamente excluída, ou seja, não tem acesso à escola e ao mercado de trabalho, principalmente em países como o Brasil.
No Fórum Mundial da Educação realizado em abril/2000 no Senegal, foi revelado que há no mundo, no final do século XX, 125 milhões de analfabetos, a maioria dos quais mulheres, vivendo em países pobres (VÓVIO e outros 2000 p.111). No Brasil, as pesquisas realizadas e veiculadas nos diversos meios de comunicação, revelaram que aproximadamente dois terços da população brasileira acima de 14 anos não concluíram o ensino fundamental, considerado obrigatório e gratuito, inclusive aqueles que não tiveram acesso em idade própria, conforme referenda os artigos 4º e 5º da nova LDB.
A existência desses brasileiros, com pouca ou nenhuma escolarização, resulta dos fatores sociais e econômicos que impedem o acesso à escola de crianças e jovens, na faixa etária correspondente ao ensino fundamental. Em decorrência disso, surgem problemas de distorção idade/série nesse nível de ensino que comprometem o processo de ensino e aprendizagem, conduzindo o aluno à retenção, à repetência e à evasão.
Sobre este aspecto, os encontros educacionais nacionais e internacionais têm contribuído para gerar, no Brasil, a efetivação de ações educativas na tentativa de propiciar aos jovens e adultos não apenas o acesso à escola, como também as condições necessárias para a sua permanência nela, como forma de ajudá-los a lidar com as transformações que ocorrem na sociedade, inclusive no mercado de trabalho.
Uma educação para todos que satisfaça as reais necessidades dos seus educandos, não apenas no que se refere à educação básica, como também à educação continuada, deve propiciar o desenvolvimento de potencialidades no sentido de melhorar a qualidade de vida, de trabalhar com dignidade, de saber tomar decisões, de resolver problemas e de continuar aprendendo.
Na perspectiva de uma educação continuada, a escola deverá mover-se em sintonia com os quatro pilares da educação para o século XXI, de modo a permitir aos seus educandos o desenvolvimento das habilidades de aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a conviver, as quais possibilitarão o exercício de suas capacidades intelectuais e coletivas, ampliando as oportunidades educacionais e aperfeiçoando as suas qualificações técnicas e profissionais, direcionando-as para a satisfação de suas necessidades e as da sua sociedade (Declaração Mundial de Educação para Todos, In: VÓVIO e outros, 2000, p.73).
É no pilar aprender a conhecer que repousa a idéia de aprendizagem respaldada no princípio de aprender a aprender, que associa o conhecimento geral ao nível do conhecimento construído pelos educandos em suas práticas sociais ao longo da vida. Nesse contexto, a escola assume um papel preponderante (...) ao selecionar criteriosamente, dentre todos os conhecimentos desenvolvidos, aqueles relevantes para a iniciação dos jovens no mundo social. Ao mesmo tempo, exerce seu papel transformador ao preparar criticamente os jovens, capacitando-os a analisar sua sociedade, avaliar as relações existentes, equacionar seus problemas e propor transformações (MORETTO, 2000, p.97).
A escola, como mediadora entre o conhecimento e os alunos e entre estes e o mundo social adulto, à medida que concebe o conhecimento como historicamente construído pela humanidade nas suas práticas sociais, deverá mover-se como elo integrador de conhecimentos adquiridos pelos educandos no meio social, no trabalho e no cotidiano escolar.
Nessa perspectiva, é essencial que o professor conceba a sala de aula como espaço propício para a existência de interações entre si e os alunos e entre alunos/alunos, criando as possibilidades para emergir a produção ou construção do conhecimento, tendo em vista que essas interações assumem um papel relevante na formação das capacidades cognitivas e afetivas de seus educandos. Além disso, deve encorajar os alunos a perceberem os conhecimentos que fazem parte de seu contexto sociocultural, enfatizando o seu significado no processo de assimilação dos conhecimentos escolares.
Adentrar na realidade do dia-a-dia da sala de aula da educação de jovens e adultos observá-la e analisá-la é uma necessidade urgente para se compreender o que ocorre no cotidiano das práticas dos seus professores. Com esse entendimento, pesquisar o cotidiano escolar também nos conduziria a considerar a história de vida de seus atores, as quais são traduzidas pela maneira singular de compreender o que está ao seu entorno, através do qual eles agem e se posicionam, assim como as condições em que se dá a apreensão do conhecimento no contexto da aula, tendo o professor como o principal instrumento de mediação no processo de ensino e aprendizagem dos seus alunos.

Segundo Maria José Medeiros Dantas de Melo

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